m levantamento da agência de jornalismo de dados Livre.Jor revela que, nos oito anos do governo Ratinho Júnior (PSD), o Estado do Paraná deixou de arrecadar R$ 132 bilhões em impostos devido a renúncias fiscais. Essa perda de arrecadação tem relação com isenções e reduções de impostos concedidas a empresas e setores econômicos. O levantamento foi feito com base em documentos enviados à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pelo Executivo. Os dados constam nos anexos das Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs) de 2019 a 2026, votadas pelos deputados estaduais nos anos que as antecederam.
Se corrigido pela inflação, o valor que o Paraná deixou de arrecadar nos oito anos do governo de Ratinho ultrapassa os R$ 148 bilhões. Conforme o levantamento, a maior parte do que o estado abriu mão vem de renúncias fiscais do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Esse tributo costuma vir embutido no preço de produtos como alimentos, energia e combustíveis, e aparece na nota fiscal.
Em 2019 o Paraná deixou de arrecadar R$ 9.590.698.006,70 em ICMS. Em 2026, os valores serão de R$ 21.552.338.365,00, um aumento de 124%.
Os descontos de IPVA também cresceram e chegaram a 36% segundo o levantamento do Livre.Jor. Em 2019, o estado deixou de arrecadar R$ 878.060.656,00 em IPVA. Já em 2026, o valor será de R$ 1.194.764.597,00.
Essa redução de impostos se dá por meio da diminuição de alíquotas, de créditos presumidos, de isenção parcial ou total de impostos e de prorrogação de incentivos. Os setores mais beneficiados com a redução, em percentual, de 2019 a 2026, foram o fumo (1.666%), a higiene pessoal (864%), o setor químico (637%), os PNEs (588%), a construção (533%) e cosméticos (389%).
Clube dos CNPJs
Em 2025, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR) divulgou um levantamento, com base em dados da Secretaria da Fazenda, revelando o peso dos incentivos fiscais concedidos pelo governo Ratinho nos anos de 2022 e 2024. Conforme o documento, neste período de tempo o estado deixou de arrecadar R$ 59,6 bilhões em impostos.
O levantamento revela ainda uma concentração dos benefícios fiscais em um grupo restrito de grandes empresas. Apenas 23 delas, apelidadas de “Clube do CNPJ”, ficaram com 22% de todos os incentivos concedidos em 2024, o equivalente a R$ 4,4 bilhões.
Entre as empresas estão a Lar Cooperativa Agroindustrial que deixou de pagar R$ 470.402,375,5 em impostos, a BRF S/A que deixou de pagar R$ 374.346.664,11, a Frimesa Cooperativa Central R$ 302.631.185,06 e a Gonçalves & Tortola S/A que deixou de pagar R$ 287.582.130,38 em impostos.