No último sábado, 11 de abril, o Núcleo de Historiadores da Academia Cultural de Santa Helena (ACULT) realizou mais uma importante ação de resgate da memória local. O grupo foi recebido pelo senhor Antenor Terol, de 90 anos, morador que chegou ao município em 1958, aos 22 anos de idade.
Quando instalados na região de Sub Sede, Antenor e sua família participaram da formação da chamada Linha Terol. Ao lado de sua companheira, Lurdes Galvani Meazza, de 74 anos, ele compartilhou lembranças que ajudam a compreender os primeiros anos de ocupação e desenvolvimento de Santa Helena.
Durante a entrevista, Antenor relatou experiências marcantes do período, contribuindo para a construção do acervo histórico que vem sendo organizado pelo Núcleo de Historiadores. Suas memórias revelam mudanças significativas na configuração social, política e territorial do município desde a colonização.
Entre os relatos, ele destacou as dificuldades enfrentadas nos primeiros tempos, quando a escassez de alimentos levava os moradores à prática da caça. Em uma das histórias, lembrou que acamparam na região conhecida como Ponte Queimada e, para conservar a carne, utilizavam técnicas como salga e defumação em varais, produzindo charque. O processo, segundo ele, era essencial para reduzir o peso e facilitar o transporte.
A visita também foi marcada por momentos de acolhimento e convivência. Durante a entrevista, compartilharam chimarrão e, ao final, caminharam pelo quintal da residência, onde foi possível observar o cultivo de frutas (limão, acerola, abacate), ervas (alecrim, sálvia, manjerona, melissa), cebolinha e mudas de tomate. A cena evidencia a continuidade da relação com a terra, mesmo em contexto urbano, preservando práticas tradicionais ligadas à agricultura. Lurdes também produz doces e sucos com a acerola colhida do quintal.
Criado em 20 de novembro de 2025, o Núcleo de Historiadores tem como objetivo desenvolver ações voltadas à identificação, catalogação e registro da história local, formando um acervo que contribua para a preservação da memória de Santa Helena. Além disso, o grupo destaca a necessidade da criação de um espaço adequado no município para a guarda desse material e para o fortalecimento de iniciativas voltadas à valorização histórica.
Mais do que recordar o passado, ouvir histórias como a de Antenor Terol é um ato de responsabilidade com o futuro. Cada memória preservada é um passo para que a identidade de Santa Helena não se perca com o tempo e manter essa história viva é um compromisso de toda a comunidade
Comentários: