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Na pré-colheita, apreensões de agrotóxico contrabandeado disparam

Produto ilegais adquiridos no Paraguai inundam lavouras brasileiras e causa risco à saúde

Na pré-colheita, apreensões de agrotóxico contrabandeado disparam
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Com a chegada do período pré-colheita, aumenta a quantidade de agrotóxicos contrabandeados apreendidos no Brasil. Somente neste ano, já foram tiradas de circulação 75 toneladas do produto no município de Americana (SP) e outras oito toneladas em Rondonópolis (MT). Os agroquímicos são comercializados no Paraguai e entram ilegalmente no Brasil.

A primeira apreensão, realizada em janeiro em Americana, foi avaliada em R$ 43 milhões. O agrotóxico seria levado para Mato Grosso e distribuído em São Paulo. O produto foi interceptado por agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio da Polícia Civil.

Em Rondonópolis, o agrotóxico, de origem chinesa e sem nota fiscal, foi encontrado em um caminhão que circulava na BR-163.

O coronel da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul e diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), Wagner Ferreira da Silva, diz que entre os meses de janeiro e março as apreensões aumentam em razão da pré-colheita nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, assim como na Região Norte de São Paulo.

As apreensões de agroquímicos vêm registrando uma escalada nos últimos anos. Somente em 2022, o total retido pelo DOF foi dez vezes maior que em 2021 na fronteira oeste dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. O Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) também registrou aumento de 540% nas apreensões de 2022 em relação a 2021.

Tipos

Ao analisar os agrotóxicos apreendidos, fiscais encontraram indícios de Paraquat, Tiametoxam e Glifosato. O uso do Paraquat foi suspenso no Brasil em 2020, mas é liberado no Paraguai, de onde vem boa parte do que é usado ilegalmente deste lado da fronteira.

Um estudo do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) de 2021 indica que 25% do mercado de agroquímicos é ocupado por produtos de origem ilegal. “É um mercado altamente ‘especializado’, é muito específico. Vimos que há uma logística criminosa atuante, que leva esses produtos das fronteiras para todo o país, principalmente para os estados de SP, MS, MT e PR, que faz com que muitas vezes os agricultores nem tenham conhecimento daquilo que vão aplicar nas lavouras”, ressalta Luciano Stremel Barros, presidente do instituto.

Barros ainda informa que, em muitos casos, rótulos são falsificados e há a atuação ilegal de distribuidoras e roubos. Um dos principais indícios da ilegalidade do produto, explica, é o preço. Se for muito baixo, não condiz com a realidade do mercado.

Outros indícios de ilegalidade podem ser rótulos sobrepostos, descrição do produto em outros idiomas, lacres com sinal de adulteração e até limpeza das embalagens, cita Barros. Segundo ele, a logística dos produtos ilegais usa, muitas vezes, rios e lagos como também armazenagem e transporte.

Riscos à saúde

O uso de agrotóxicos ilegais na lavoura traz sérios danos à saúde pública. Conforme fiscais, os produtos não legalizados oferecem risco à agropecuária por terem baixa confiabilidade em se tratando da procedência e da eficácia no combate às pragas. Também provocam danos à saúde humana durante a aplicação e na hora do consumo dos alimentos, que ficam contaminados. Outro prejuízo é ao meio ambiente, afetando a fauna e a flora.

FONTE/CRÉDITOS: h2foz

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