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Semana Cultural Indígena reúne milhares de visitantes e fortalece identidade Guarani no Oeste do Paraná

Evento em Diamante do Oeste destaca intercâmbio cultural, educação e ações de reparação histórica junto às comunidades indígenas

Semana Cultural Indígena reúne milhares de visitantes e fortalece identidade Guarani no Oeste do Paraná
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Nesta terça-feira (14), membros do Núcleo de Historiadores da Academia Cultural de Santa Helena participaram da abertura da 20ª Semana Cultural Indígena, realizada em Diamante do Oeste. O evento acontece de 14 à 16 de abril, na Tekohá Añetete, no Colégio Estadual Indígena Kuaa Mboe, reunindo visitantes de toda a região Oeste do Paraná.

De acordo com um dos organizadores e diretor da Escola Estadual Indígena Araju Porã, Mauro Dietrich, a iniciativa vem ganhando força a cada edição. A expectativa para este ano é receber cerca de 5 mil visitantes, vindos de municípios como Corbélia, Lindoeste, Capitão Leônidas Marques, Assis Chateaubriand, Toledo, Cascavel, Santa Helena, entre outros.

Segundo Dietrich, as escolas representam a maior parte do público, aproveitando a oportunidade para proporcionar aos alunos o contato direto com a cultura indígena — conteúdo previsto no currículo escolar.

O diretor do colégio anfitrião, Jairo Bortolini, ressalta a importância do evento para além do aspecto educativo. “A Semana Cultural contribui para o fortalecimento da identidade Guarani e para a superação de estereótipos. É um espaço de reconhecimento, respeito e preservação dos saberes tradicionais, reafirmando a importância da cultura indígena na construção da sociedade”, destaca.

A programação também conta com o apoio institucional da Itaipu Binacional, que desenvolve ações voltadas às comunidades indígenas. Para o gestor de Sustentabilidade das Comunidades Indígenas da entidade, Paulo Porto, a Semana Cultural se consolida como um espaço relevante de diálogo e intercâmbio cultural.

“O evento é um momento em que a comunidade Guarani se abre de forma respeitosa e acolhedora, especialmente para estudantes, que podem conhecer a riqueza da cultura, da língua e do território”, afirma.

Porto destaca ainda que a Itaipu tem ampliado seu apoio, tanto financeiro quanto institucional, sempre respeitando o protagonismo das lideranças indígenas, professores e comunidades envolvidas. Entre as ações desenvolvidas, está o incentivo ao artesanato tradicional, com encontros semanais coordenados por Janete Souza Dias, voltados à transmissão de conhecimentos entre gerações.

O gestor também enfatiza o papel atual da Itaipu no processo de reparação histórica. Segundo ele, a formação do reservatório da usina, em 1982, resultou na submersão de diversos territórios Guarani, gerando uma dívida histórica com essas comunidades.

“Durante décadas houve invisibilidade e negação de direitos. Hoje, há uma nova postura, orientada pelo Governo Federal e conduzida pela gestão do diretor-geral Enio Verri, que busca promover justiça e reparação”, pontua.

Nos últimos anos, a atuação da Itaipu foi ampliada, alcançando não apenas comunidades de São Miguel do Iguaçu e Diamante do Oeste, mas também outras 31 comunidades indígenas em todo o Oeste do Paraná, com projetos de apoio e aquisição territorial.

Para Porto, abril de 2026 marca não apenas mais uma edição da Semana Cultural Indígena, mas também um momento simbólico de reconhecimento e avanço nas políticas voltadas aos povos originários. “É uma celebração da cultura, mas também de uma nova postura, mais justa e humanizada”, conclui.

 

FONTE/CRÉDITOS: ACULT
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