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“Palavras, Saberes e Costumes”: Roda de conversa leva a voz Avá-Guarani à 20ª Primavera dos Museus em Santa Helena

Ação do Departamento de Cultura ouviu Vergínia Takua Martines, liderança da Tekoha Vy’a Renda, de Santa Helena Velha

“Palavras, Saberes e Costumes”: Roda de conversa leva a voz Avá-Guarani à 20ª Primavera dos Museus em Santa Helena
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Santa Helena, 23 de setembro de 2026 — O município de Santa Helena aderiu à 20ª Primavera dos Museus com uma atividade que colocou no centro do debate não objetos ou acervos históricos, mas pessoas. Realizada pelo Departamento de Cultura, por meio da Secretaria de Educação e Cultura (SMEC), a roda de conversa intitulada “Palavras, Saberes e Costumes” reuniu a liderança indígena Vergínia Takua Martines, da comunidade Tekoha Vy’a Renda, a diretora do Departamento de Cultura, Débora Thais Shnnor Zastrow e a coordenadora da SMEC, Adriele Duarte Kapp.

O evento integra a programação nacional coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que este ano traz o tema “Museus para Todas as Pessoas”. A proposta é ampliar o debate sobre direito à memória, pertencimento e inclusão, fazendo com que diferentes grupos sociais sejam reconhecidos nos espaços culturais .

Durante o bate-papo, realizado em um clima de escuta e troca, Vergínia falou sobre a vida na comunidade indígenas, que está em Santa Helena desde 2009. A liderança abordou temas como costumes, língua, educação, trabalho e culinária tradicional, mas também trouxe à tona as dificuldades concretas que a comunidade enfrenta diariamente.

Entre os problemas relatados, dois se destacaram pela urgência: a falta de banheiros adequados para atender tanto os alunos da escola da comunidade quanto visitantes, e a escassez de água, que compromete a dinâmica diária e impede atividades básicas.

A situação do Tekoha Vy’a Renda não é nova. Pesquisas acadêmicas já apontavam que a comunidade, localizada em Santa Helena Velha, enfrenta condições precárias de infraestrutura, com instalações inadequadas para a escola e para muitas residências. A área ocupada pela comunidade faz parte da antiga base náutica pertencente ao Estado do Paraná, e a demarcação definitiva ainda aguarda estudos da FUNAI .

Vergínia não é uma voz nova no diálogo com a sociedade não indígena. Em 2024, ela participou de oficinas de educação antirracista em escolas de Santa Helena, através do Projeto Opaná Chão Indígena (CAPA/ITAIPU) quando já defendia que a história indígena seja contada a partir da perspectiva dos próprios indígenas.

A 20ª Primavera dos Museus segue até o dia 27 de setembro em todo o país, com mais de 2 mil atividades inscritas. Em Santa Helena, a ação “Palavras, Saberes e Costumes” deixou um registro que vai além do evento: a constatação de que a inclusão proposta pelo tema nacional só se torna real quando as dificuldades estruturais — como água e saneamento — também sejam tratadas como questões culturais.

Ao ouvir Vergínia, a conclusão que se chega é de que a cultura Avá-Guarani não se sustenta apenas em palavras, mas nas condições materiais que permitem ao povo viver seu modo de ser e sua identidade.

A atividade foi acompanhada por representantes do Núcleo de Historiadores, vinculado à Academia Cultural de Santa Helena (Acult).

 

FONTE/CRÉDITOS: Núcleo de Historiadores
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