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Estudo aponta aumento global na toxicidade de agrotóxicos: Caso em Santa Helena acende alerta no Oeste do Paraná

Paraná Pesquisa publicada na revista Science mostra que Brasil está entre os países mais distantes da meta da ONU

Estudo aponta aumento global na toxicidade de agrotóxicos: Caso em Santa Helena acende alerta no Oeste do Paraná
Thyago Scheffer
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O aumento da toxicidade dos agrotóxicos em todo o mundo tem preocupado pesquisadores e autoridades ambientais. Um estudo publicado neste mês na revista Science aponta que, entre 2013 e 2019, o grau de toxicidade dos pesticidas cresceu globalmente — e o Brasil figura entre os países com maior intensidade de impacto.

O alerta ganha contornos locais após um caso registrado em Santa Helena, no Oeste do Paraná, onde vacas morreram após a pulverização de venenos agrícolas com o uso de drone em área próxima a uma propriedade rural. O episódio reforça as preocupações sobre os riscos associados ao uso e à aplicação dessas substâncias, especialmente em regiões com forte atividade agropecuária.

Toxicidade em alta

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Kaiserslautern-Landau, na Alemanha, que analisaram 625 pesticidas utilizados em 201 países. Para medir o impacto, os cientistas empregaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que leva em conta tanto o volume utilizado quanto o grau de toxicidade de cada substância.

Os resultados mostram que seis dos oito grupos de espécies avaliados tornaram-se mais vulneráveis ao aumento da toxicidade. Entre os mais afetados estão artrópodes terrestres (como insetos e aracnídeos), organismos do solo, peixes, invertebrados aquáticos, polinizadores e plantas terrestres. Apenas plantas aquáticas e vertebrados terrestres — grupo que inclui os seres humanos — apresentaram leve redução nos índices globais.

“O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, destaca o estudo.

Brasil entre os líderes

O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. Ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia, o país registra uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola do planeta.

Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia concentram juntos entre 53% e 68% da toxicidade total aplicada mundialmente. O peso do agronegócio brasileiro, especialmente em culturas extensivas como soja, algodão e milho, está diretamente relacionado a esses índices.

O levantamento também aponta que o problema é concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada. Classes de inseticidas como piretroides, organofosforados e neonicotinoides estão entre as que mais contribuem para os impactos ambientais, afetando polinizadores, peixes e organismos do solo. Herbicidas como glifosato, paraquat e acetoclor também aparecem entre os mais relevantes em volume e risco.

Meta distante

A pesquisa faz referência à meta estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15), que prevê a redução de 50% dos riscos associados aos pesticidas até 2030. No entanto, a análise de 65 países indica que apenas o Chile está no caminho para atingir o objetivo.

O Brasil está entre as nações que precisarão promover mudanças estruturais para retornar aos níveis de risco observados há mais de 15 anos, revertendo padrões consolidados de uso em volume e toxicidade.

Entre as soluções apontadas pelos pesquisadores estão a substituição de pesticidas altamente tóxicos, a ampliação da agricultura orgânica e o investimento em alternativas não químicas, como controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso das lavouras.

Enquanto o debate avança no campo científico e político, casos como o registrado em Santa Helena evidenciam que os impactos do uso de agrotóxicos ultrapassam as estatísticas globais e atingem diretamente comunidades e produtores rurais.

Liberdade FM com informações de Agência Brasil

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