Sobre a Rádio

Cronologia

 

1º. Autorização Provisória de Funcionamento Rádio Comunitária

Data 18/07/2002

 

 

Liberação Definitiva

Ato Nº 44053, 28 de ABRIL de 2004

Publicado Diário Oficial da União 30/04/2004

 

 

A Rádio Comunitária Liberdade FM de Santa Helena  opera regularmente desde 2002, mas que teve seu processo de constituição iniciado ainda em 1995, e passou por uma trajetória de lutas que revelam na escala micro o que aconteceu nestes quase 10 anos em escala nacional: o embate entre as emissoras ditas “legais” contra as “piratas”, o uso do poder do estado para suprimir ações populares, a dificuldade em gerir um processo comunitário em torno de um objetivo comum, o medo das pessoas se envolverem em ações “subversivas”.

            A Rádio Comunitária Liberdade FM, de Santa Helena, apresenta um interessante histórico de lutas da comunidade local a fim de conseguir sua liberação definitiva de funcionamento. Conforme integrantes do movimento, no início não se sabia bem que caminho trilhar. Iniciaram-se os primeiros contatos com integrantes do movimento sindical e partidário de Curitiba, com a finalidade de instalar uma rádio que não fosse privada e que fosse alternativa à única rádio local, a qual, segundo os participantes pró-rádio comunitária, atuava de forma tendenciosa em favor de interesses não apenas das elites dominantes, mas também com relação aos interesses políticos de direita.

No caso da rádio comunitária de Santa Helena, esses movimentos tiveram que ir além da resistência, da organização, do esforço para o entendimento de criar uma alternativa de comunicação via rádio no município. Tiveram também que enfrentar autoridades constituídas e revestidas de “poder” como a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), a Polícia Federal, Executivo Municipal e alguns vereadores. Então a discussão da rádio extrapolou a esfera da comunicação como alternativa e culminou por expor claramente as diferentes correntes políticas e seus projetos de domínio e poder para essa sociedade.

Entre os autores dessa conquista da rádio, aqui chamada de “macro”, a qual demandou quase sete anos de luta, estiveram presentes pastores, padres, grêmio estudantil, lideranças sindicais e de associações, além de muitas pessoas simples, mulheres, homens e jovens, que por algum motivo identificavam nessa alternativa de rádio sua esperança de poder expressar de forma mais organizada e abrangente suas idéias, reclamações, posições políticas e sociais, além de projetarem um meio através do qual estavam ajudando a construir e, portanto, constituindo-se em parte do projeto.

Após algumas discussões e busca de informações, partiu-se para a compra dos primeiros equipamentos, através de uma rifa no valor de “um real o número” que teve a participação de mais de duas mil pessoas. Conseguiu-se adquirir o transmissor, microfones, aparelhos de som e cd’s. Quando colocada no ar, o Grêmio Estudantil Chico Mendes, da Escola Estadual Graciliano Ramos,  em conjunto com a rádio conseguiram que mais de seiscentas pessoas dessem sugestão do nome para a emissora, através de carta escrita, o que culminou com o nome mais sugerido e o qual resiste até os dias de hoje, ou seja, Rádio Comunitária Liberdade FM.

Outro momento importante da participação e resistência de centenas de pessoas foi a passeata realizada em protesto ao fechamento da rádio pela ANATEL e Polícia Federal, após oito meses de funcionamento. As pessoas quando perceberam que a rádio estava fora do ar, se dirigiram para o local da rádio, foram chegando, alguns avisados por telefone, outros curiosos pelo movimento, outros por suspeitarem do fato da rádio ter saído do ar sem ninguém ter falado o porquê, alunos do segundo grau, ao ficarem sabendo saíram da sala de aula e se dirigiram para o local. Advogados, médicos, professores, alguns vereadores e muitas pessoas simples, começaram a gritar contra os policiais, a reclamar do sistema “democrático” existente no país, tanto foi á pressão que a Polícia não se encorajou a prender ninguém, apenas levaram os equipamentos.

Após a saída da polícia do local, organizou-se uma grande passeata, a qual percorreu a Avenida Brasil até a frente da Rádio Grande Lago AM, a rádio comercial da cidade, onde foram gritadas palavras de ordem e cantado o Hino Nacional Brasileiro como forma de protesto. 

Esse episódio foi o segundo dos quatro que envolveu a ANATEL, e o primeiro dos dois que envolveu a Polícia Federal. Esse momento histórico de luta e resistência serviu apenas para acirrar ainda mais os ânimos da comunidade, que prontamente uniu forças e dinheiro para adquirir novos equipamentos e por a Rádio Comunitária no ar novamente.

A mantenedora da Rádio Comunitária Liberdade FM 87,9 é a Academia Cultural de Santa Helena. Conheça mais sobre ela na página "Acult" neste site.