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Javier Milei aprova reforma trabalhista na madrugada sob críticas de atropelo e desprezo aos trabalhadores

Votação ocorreu às pressas, em meio a protestos e greve geral; sindicatos apontam perda de direitos e exclusão da maioria trabalhadora do debate

Javier Milei aprova reforma trabalhista na madrugada sob críticas de atropelo e desprezo aos trabalhadores
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A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada desta sexta-feira (20), a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, com 135 votos favoráveis e 115 contrários. A sessão, que se estendeu por mais de dez horas, terminou nas primeiras horas do dia, em um cenário descrito por opositores como silencioso e acelerado — estratégia que, segundo críticos, teria evitado maior repercussão popular no momento da decisão.

Para setores sindicais e parlamentares contrários ao texto, o horário e a condução da votação simbolizam o distanciamento do governo em relação à maioria da população: os trabalhadores. Enquanto o debate ocorria dentro do Congresso, do lado de fora manifestantes protestavam contra as mudanças, e uma greve geral de 24 horas paralisava transportes e serviços em diversas regiões do país.

O governo defende a proposta como uma “modernização trabalhista”, alegando que ela trará dinamismo econômico, geração de empregos formais e redução da burocracia. No entanto, críticos afirmam que a pressa na aprovação e a votação durante a madrugada evidenciam a falta de diálogo com a sociedade civil e com as centrais sindicais.

Mudanças que atingem diretamente o trabalhador

A reforma altera pontos centrais da legislação trabalhista argentina, consolidada desde os anos 1940, quando Juan Domingo Perón estruturou a base dos direitos sociais no país. Entre as principais mudanças estão:

Redução do valor das indenizações por demissão, ao excluir décimo-terceiro salário, férias e prêmios do cálculo;

Possibilidade de jornadas de até 12 horas diárias;

Compensação de horas extras com folgas, em vez de pagamento adicional;

Fragmentação das férias;

Restrições ao direito de greve em setores considerados essenciais, como a Educação.

Para a Confederação Geral do Trabalho (CGT), a reforma enfraquece garantias históricas e transfere riscos econômicos para o trabalhador, ao mesmo tempo em que facilita e barateia demissões. Especialistas alertam que, ao tornar mais simples romper contratos, a nova legislação pode provocar uma onda inicial de desligamentos.

Críticas à condução política

O fato de a votação ter sido concluída na madrugada é apontado por opositores como um gesto político simbólico: enquanto a maioria da população descansava, decisões com impacto direto sobre milhões de trabalhadores eram tomadas. Para críticos, isso reforça a percepção de que os interesses empresariais tiveram prioridade no processo legislativo.

O presidente comemorou a aprovação e classificou o momento como “histórico”. Já sindicatos prometem continuar mobilizados, argumentando que a reforma representa não apenas uma mudança técnica na legislação, mas uma redefinição do papel do trabalhador na estrutura econômica do país.

A tramitação ainda precisa ser concluída no Senado, mas o episódio já expõe um país dividido entre a promessa de modernização defendida pelo governo e o temor de retrocesso social apontado por amplos setores da sociedade.

Liberdade FM com informações de Agência Brasil

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